Vamos falar sobre ELIS

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Com a direção de Hugo Prata, chegou aos cinemas este ano, mais precisamente aos 24 dias de Novembro, a cinebiografia de Elis Regina. Andreia Horta dá vida à cantora de um modo pra ninguém botar defeito.

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Da chegada ao Rio de Janeiro e a audição com Tom Jobim e Vinícius de Moraes para a peça “Pobre menina rica” à sua chocante e prematura morte, aos 36 anos, por overdose, o filme conta detalhes da vida de Elis Regina Carvalho Costa, o ser por trás do grande ícone Elis Regina, a “Pimentinha”.  O gênio autêntico e pulso firme, que deram origem ao apelido, e a decadência na vida amorosa são enredos dessa história emocionante e com tantos elos.

Andreia Horta está impecável, como já disse. Dedicou-se à Elis desde o convite, estudando-a oito horas por dia, cinco dias na semana, segundo Andreia. Ícaro Silva, como Jair Rodrigues, também é digno de destaque. Além de Caco Ciocler, como César Camargo Mariano, o segundo marido de Elis, e Gustavo Machado, como o galã-conquistador e produtor de grande influência a época, Ronaldo Bôscoli, primeiro marido da cantora. A interpretação de Lúcio Mauro Filho dando vida ao também produtor Miéle é de se aplaudir. Todos em uma perfeita sintonia e acreditados no roteiro de Vera Egito, Luiz Bolognesi e Hugo Prata.

Júlio Andrade também impressiona como Lennie Dale, figura tão importante na construção e vida de Elis. Dale era cantor no Beco das Garrafas, onde Elis começou sua carreira no Rio com Bôscoli e Miéle, e a ajudava sempre, profissional e pessoalmente.

A trilha sonora escolhida a dedo conta com músicas de grande importância na carreira da intérprete como “Upa Neguinho”, “Como nossos Pais”, “Fascinação” e “Cinema Olympia”, música que trouxe aos discos de Elis o som das guitarras, produzido por Nelson Motta (Rodrigo Pandolfo). Ainda nas músicas, a precisão de Andreia nas apresentações cantadas é impressionante. Durante as gravações a atriz cantava realmente as músicas, depois faziam a sobreposição de voz (porque Elis é Elis, né?).

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Gestos, manias, vícios, trejeitos, expressões, gargalhadas… Elis está ali! Na perfeita preparação de atriz de Horta. O olhar, a maneira como segurava o cigarro, o modo de pegar no microfone, enfim, um trabalho merecedor de todos os prêmios conquistados.

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Alguns detalhes importantes como a relação de Elis com o advogado Samuel, que se tornaria seu marido caso não tivesse tido aquele triste fim, foram deixadas de fora. Talvez por problemas de permissão de imagem, por aí. Mas nada que mude a grandeza desse longa tão aguardado e esperado por todos. Elis merece todos os “Vivas!” de todos os lados! Brava, determinada, confiante. A maior cantora deste país “e menor ao mesmo tempo, né, bicho?”! Grande Elis! Salve, salve!

(Atualizado em 08/12/2016)


Um comentário sobre “Vamos falar sobre ELIS

  1. Bravo. Eu morava na Avenida Atlântica 1536, ou seja, esquina com Rua Duvivier, em Copacabana, e por trás de meu prédio estava o famoso Beco das Garrafas, onde havia o Little Club. Como conhecia todo mundo do ” pedaço” assisti a Elis o Lennie Dale,uma figura fantástica , no show que se tornou antológico…Era o Rio de Janeiro um Balneário chique, ingenuo, maravilhoso como foi esse famoso show. Dá saudade e muita dos meus tempos de rapaz quando eu andava na cidade do Riô entre sustenidos e bemóis.

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