
Em momento tão radical da nossa sociedade, tudo é motivo para problematizar. Tem um monte de coisa errada? Ô! Coisa a rodo! E hoje todo mundo tem seu espaço. Já pensaram como era há cinquenta anos? Pois é. Há cinquenta anos a sociedade não era para “maricas”, literalmente. E em meio a este turbilhão de machismo, eis que surge uma loirinha das nossas: pra frente e sem se importar com o que os outros pensavam sobre ela. Essa loirinha magrinha e bonitinha se tornou a maior roqueira que este país já viu, a mulher que mais vendeu discos da história da nossa música (estando em quarto lugar na lista geral).
Essa mulher quebrou tabus jamais antes citados. Ela cantou o sexo, o orgasmo, o prazer feminino. A menstruação. Ela cantou “Todas as mulheres do mundo”, mostrou que é “mais macho que muito homem” e que “dona de casa só é bom no café da manhã”.

Rita Lee escancara os tabus sem revelar os segredinhos e conquistou, assim, público e críticos num cenário musical extremamente machista. Sendo cabeça de bandas como Tutti-Frutti e compondo suas próprias canções. Uma mulher completamente a frente do seu tempo e que abriu as portas – e as gravadoras – para mulheres compositoras e outras mil bandas de rock brazuca que entraram e conquistaram o mercado depois dela.

Uma mulher como Rita Lee não merece ser colocada contra a parede por declaras que “envelhecer não é para maricas”. Rita sempre se posicionou contra toda e qualquer discriminação independente do motivo. Rita cantou toda uma geração de mulheres que queriam fazer um convite para um “banho de espuma” sem culpa nenhuma.
Rita é a Maria-Sem-Vergonha do nosso jardim, que sempre falou tudo o que quis e abriu grandes portas, junto com Dercy Gonçalves e outras damas absolutas, para as mulheres na sociedade e na cultura brasileira.

Não sejamos injustos e demos a César o que é de César. E salve Rita Lee!