No dia 19 de Outubro de 1913, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, nascia Marcos Vinícius de Moraes, o Poetinha mais apaixonado do Brasil.

Vinícius formou-se advogado pela Faculdade do Catete. Em 1936, começou a trabalhar como censor cinematográfico para o Ministério da Educação e Saúde. Dois anos depois, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford. Em 1941, retornou ao Brasil e começou a trabalhar, então, como crítico de cinema no jornal “A Manhã”. Colaborou, também, com a revista “Clima”.

Em 1943, foi aprovado no concurso para o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em 1946, assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles. Com a morte do pai, em 1950, retornou ao Brasil e no mesmo ano, Vinicius começou a atuar no campo diplomático em Paris e em Roma, onde costumava realizar animados encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico Buarque e Miúcha, cantores e grandes amigos do Poetinha. Viveu a carreira diplomática por muitos anos, quando, em 1968, foi afastado pelo Ato Inconstitucional n° 5 (AI-5), por seu comportamento boêmio.
Vinícius não era apenas Poeta, como o apelido, era, também, compositor, autor de teatro, escritor e cantor. É considerado um dos pais da Bossa nova, ao lado de Tom Jobim, seu grande amigo, João Gilberto e outros.
A Bossa nova marca seu início na segunda metade dos anos 50, mais precisamente em 1958, com o álbum “Canção do Amor Demais”, gravado pela cantora Elizeth Cardoso. Além da faixa-título, o antológico LP contava ainda com outras canções de autoria da dupla Vinicius e Tom, como “Luciana”, “Estrada Branca ” e “Chega de Saudade”, em interpretações vocais intimistas.

Vinícius, porém, só gravou um disco como intérprete em 1960, n’um disco com sambas, entre eles “Água de beber”. Ainda em 61, o Teatro Santa Rosa, no Rio, foi inaugurado com “Procura-se uma rosa”, peça de autoria de Vinicius, Pedro Bloch e Gláucio Gil – filmada depois pelo cinema italiano com o nome de “Una Rosa per Tutti”, rodado na Cidade Maravilhosa e estrelado por Claudia Cardinale. Além desse, outro grande sucesso de Vinícius no teatro foi a peça “Pobre menina rica”, estrelada por Nara Leão. Espetáculo cujo Elis fez um teste para substituir a cantora.
Na música, duas canções de Vinicius de Moraes concorreram, em 1965, no I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior). “Arrastão” (composta com Edu Lobo), defendida por Elis Regina, ficou com o primeiro lugar, e “Valsa do Amor que Não Vem” (parceria com Baden Powell), defendida por Elizeth Cardoso, ficou com o segundo lugar. Vinícius era sucesso absoluto no Brasil e no exterior. Poliglota, ele se apresentava pela Europa, Américas e demais continentes, e em todos os países batia altos papos com o público, não importando o idioma, às vezes até misturando todos eles na mesma frase.

Vinícius também se dedicava às crianças, por exemplo, com o álbum e livro “A arca de Noé”, com poesias e as mesmas poesias musicadas interpretadas por grandes nomes da música como Milton Nascimento, Toquinho e Miúcha.
Foi planejando o volume dois desse trabalho que Vinícius se despediu, em 9 de Julho de 1980, após conversar com o parceiro Toquinho sobre o trabalho. Mas Vinícius se tornou imortal pelos seus poemas, livros e composições.
Vinícius tinha como marca registrada a companhia do seu copo de uísque e um cigarro, sempre à mão. Além de ser um eterno apaixonado, tendo sido casado por nove vezes.
Nos 20 anos da morte do poeta, em 2000, a Praia de Ipanema foi o palco de um show em homenagem a Vinicius, que contou com a participação de grandes nomes da música interpretando composições de sua autoria.
Em 2003, ano em que o poeta completaria 90 anos, foram lançados vários projetos em tributo à sua criação artística. Também foi lançado o website oficial de Vinicius, com sua obra completa disponível.
Em 2005, “The Girl from Ipanema”, versão em inglês de “Garota de Ipanema”, interpretada por Astrud Gilberto, Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz e gravada em 1963, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano.
Ainda em 2005, estreou, na abertura da sétima edição do Festival do Rio, o documentário Vinicius, dirigido por Miguel Faria Jr. e produzido por Suzana de Moraes, filha do poeta, com a participação de Chico Buarque, Carlos Lyra, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto (que viria ser sua nora, casada com Suzana), entre outros convidados. A trilha sonora do filme foi lançada em CD.
Em 2006, foi lançada a caixa “Vinicius de Moraes & Amigos”, com cinco álbuns do Poetinha, contendo 70 canções gravadas por vários intérpretes e pelo próprio Vinicius. A caixa incluiu ainda um livreto com a biografia do homenageado e as letras de todas as canções.
Em 2011, a escola Império Serrano o homenageou com o enredo : “A Benção, Vinicius”. E em 2013 a União da Ilha entrou na avenida sob o enredo “Vinícius no plural: paixão, poesia e carnaval”, comemorando os 100 anos do Poeta.
Toquinho e Chico fizeram, em homenagem ao grande amigo, o “Samba para Vinícius” para celebrar a sua vida.

Uma das máximas de Vinícius é muito conhecida e repetida por aí, extraída do “Soneto de Fidelidade”, que diz que “não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. E você, Vinícius, é imortal para sempre!
OBRAS:
No Teatro
- “As Feras”
- “Cordélia e o Peregrino malvado”
- “Orfeu da Conceição”
- “Procura-se uma Rosa”
- Era uma vez vovó
Poesias
- O caminho para a distância. Rio de Janeiro: Schmidt, 1933.
- Forma e exegese. Rio de Janeiro: Pongetti, 1935.
- Ariana, a mulher. Rio de Janeiro: Pongetti, 1936.
- Novos poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1938.
- Cinco elegias. Rio de Janeiro: Pongetti, 1943.
- Poemas, sonetos e baladas: com 22 desenhos de Carlos Leão. São Paulo: Gaveta, 1946.
- Pátria minha. Barcelona: O Livro Inconsútil, 1949.
- Antologia poética. Rio de Janeiro: A Noite, 1954.
- Livro de sonetos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1957.
- Novos poemas (II). Rio de Janeiro: São José, 1959.
- Para viver um grande amor (crônicas e poemas). Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962.
- Livro de sonetos: segunda edição, aumentada. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.
- Obra poética. Org. Afrânio Coutinho com assistência do autor. Rio de Janeiro: Companhia Aguilar, 1968.
- O mergulhador. Ilustr. Pedro Moraes. Rio de Janeiro: Atelier de Arte, 1968.
- O poeta apresenta o poeta. Sel. e pref. de Alexandre O’Neill. Col. Cadernos de poesia, v.4. Lisboa: Dom Quixote, 1969.
- A arca de Noé. Rio de Janeiro: Sabiá, 1970.
- História natural de Pablo Neruda — A elegia que vem de longe. Xilogravuras de Calasans Neto. Salvador: Macunaíma, 1974.
- A casa. Capa de Carlos Bastos. Salvador: Macunaíma, 1975.
- Breve momento: sonetos. Rio de Janeiro: Lithos Ed. de Arte, 1977.
- O falso mendigo. Sel. Marilda Pedroso, com xilogravuras de Luiz Ventura. Rio de Janeiro: Fontana, 1978.
Músicas
- Amei tanto
- Canção de nós dois
- Cântico
- Cem por cento
- Dia da criação
- Hendulu
- Medo de amar
- Melancia e coco verde
- O desespero da piedade
- O falso mendigo
- Poema dos olhos da amada
- Quarto soneto de meditação
- Samba de Gesse
- Serenata de chocolate
- A casa da mãe Joana
- Soneto da Fidelidade
- Soneto do Amor Total
- Soneto do odio
- Tengo-lengo-tengo
- João pé de Feijão
- A arca de Noé
- A vida do E.T
Com Tom Jobim
- A felicidade
- Água de beber
- Amor em paz
- Andam dizendo por ai que nosso amor já era
- Brasília, sinfonia da Alvorada
- Brigas nunca mais
- Cala, meu amor
- Caminho de pedra
- Caminhos sem fim
- Canção da eterna despedida
- Canção do amor demais
- Canção em modo menor
- Canta, canta demais
- Chega de saudade
- Chora coração
- Derradeira primavera
- É preciso dizer adeus
- Ela é carioca
- Estrada branca
- Eu e o meu amor
- Eu não existo sem você
- Eu sei que vou te amar
- Exaltação do amor
- Fala, meu amor
- Frevo
- Garota de Ipanema
- Insensatez
- Janelas abertas
- Lamento do morro
- Valdomira
- Maria da graça
- Modinha
- Mulher, sempre mulher
- O grande amor
- O morro não tem vez
- O nosso coração
- O que tinha de ser
- Onde andará o amor?
- Outra vez
- Pelos caminhos da vida
- Por toda minha vida
- Praia branca
- Samba Belo Horizonte
- Se todos fossem iguais a você
- Sem você
- Soneto da separação
- Só danço samba
- Um nome de mulher
- Valsa do amor de nós dois
- Vida bela
Com Toquinho
- A Terra Prometida
- A Tonga da Mironga do Kabuletê (com Tom Jobim no piano)
- Amigos Meus
- Amor em Paz
- Aquarela
- As Cores de Abril
- As Razões do Coração
- Até Rolar pelo Chão (com Caetano Veloso)
- Canto de Oxum.
- Caro Raul
- Carta ao Tom 74
- Chorando pra Pixinguinha
- Choro Chorado para Paulinho Nogueira
- Como Dizia o Poeta
- Cotidiano nº 2
- Gilda
- Golpe Errado
- Mais um Adeus
- Maria Vai com as Outras
- Menina da Duas Tranças
- Meu Pai Oxalá
- Morena Flor
- No Colo da Serra
- O Bem Amado
- O Filho que Eu Quero Ter
- O Velho e a Flor
- Onde Anda você
- Paiol de Polvora
- Por que Será?
- Regra Três
- Samba da Rosa
- Samba da Volta
- Samba pra Endrigo
- São Demais os Perigos Desta Vida
- Se Ela Quisesse
- Sei Lá… A Vida Tem Sempre Razão
- Tarde em Itapoã
- Testamento
- Um Homem Chamado Alfredo
- Valsa do Bordel
- Veja Você
- Como dizia o poeta (e com Albinoni)
- O velho e a flor (e com E. Bacalov e com Tom Jobim no piano)
- A bênção, Bahia (e com Marília Medalha)
Com Baden Powell
- Apelo
- professor
- rabicha
- Berceuse
- Berimbau
- Bocoxé
- Bom-dia, amigo
- Canção de amor e paz
- Canção de enganar tristeza
- Canção de ninar meu bem
- Canção do amor amigo
- Canto de Iemanjá
- Canto de Ossanha
- Canto de Oxalufá
- Canto de Oxanga
- Canto de pedra
- Canto de pedra preta
- Canto de Xangô
- Canto do Caboclo Pedra Preta
- Canto e contraponto
- Cavalo marinho
- Chanson d’hiver
- Garota prenongondon
- Choro para metrônomo
- Consolação
- Deixa
- Deve ser amor
- É hoje só
- Fluido de saudade
- Formosa
- História antiga
- Iemanjá
- Improviso em bossa nova
- Indiscretion
- Insônia
- Labareda
- Lamento de exú
- Linda baiana
- Melhor tudo acabar
- Mulher carioca
- O canto de pedra
- Para fazer um bom café
- Paris toute grise
- Pour toi, Marie
- Pra que chorar
- Precedented
- Prelúdio ao coração
- Que trouxe essa canção?
- Samba cinco
- Samba da bênção
- Samba de nós dois
- Samba de Oxóssi
- Samba do Veloso
- Samba em chá-chá-chá
- Samba em prelúdio
- Samba saravá
- Samba triste
- Saravá
- Seja feliz
- Simplesmente
- Só por amor
- Sonho de amor e paz
- Tem dó
- Tempo de amor
- Tempo de paz
- Tempo feliz (Té o sol raiar)
- Tristeza e solidão
- Valsa do amor que não vem
- Valsa sem nome
- Velho amigo
Com Eduardo Bacri
- Com Toi, ma blonde
- Toma meu coração
Com Carlos Lyra
- A primavera
- Broto maroto
- Canção do amor que chegou
- Canção do homem só
- Carioca
- Cartão de visita
- Coisa mais linda
- Com você é pior
- Gente do morro
- Marcha da quarta-feira de cinzas
- Marcha do amanhecer
- Maria moita
- Minha desventura
- Minha namorada
- Nada como ter amor
- Pau-de-arara
- Pobre menina rica
- Primeira namorada
- Sabe você
- Samba do carioca
- Só amor
- Valsa dueto
- Você e eu
Com Antônio Maria
- Bate, coração
- Dobrado de amor a São Paulo
- Quando tu passas por mim
Com Edu Lobo
- Arrastão
- Canção de amanhecer
- Canto triste
- Só me fez bem
- Zambi
- Oxalá
Com Cláudio Santoro
- Acalanto da rosa
- Amor e lágrimas
- Luar de meu bem
- Pregão da saudade
Com Os Irmãos Tapajós
- Menina Tropicana
Haroldo Tapajós
- Canção para alguém
- Diga, moreninha
- Doce ilusão
- Loura ou morena
- Namorado da lua
- O beijo que você não quis dar
- O nosso amor de criança
Paulo Tapajós
- Canção da noite
- Honolulu
Com Marília Medalha
- Algum lugar
- Ausência
- Canção da canção que nasceu
- Canção para o grande amor
- Distante
- Meu tempo
- Mister Toquinho
- Moinho d’água
- O grande apelo
- Sagarana
- Se o amor pudesse
- Sem razão de ser
- Valsa para o ausente
Com Moacir Santos
- Lembre-se
- Menino travesso
- Se você disser que sim
- Triste de quem
Com Chico Buarque
- Desalento
- Estamos Ai
- Valsinha
- Gente humilde (e com Garoto)
- Olha, Maria (e com Tom Jobim)
- Samba de Orly (e com Toquinho)
Com Francis Hime
Anoiteceu
- Eu te amo, amor
- Maria
- Samba de Maria
- Saudade de amor
- Sem mais adeus
- Tempo da flor
- Um Sequestrador
Com Pixinguinha
- Lamentos
- Mundo melhor
- Samba fúnebre
Com Ary Barroso
- Em noite de luar
- Já era tempo
Outras canções de Vinicius de Moraes
- Rancho das Flores (como Letrista apenas, a música é da autoria de Johann Sebastian Bach, “Jesus bleibet meine Freude”)
- Bom dia, tristeza (com Adoniran Barbosa)
- Amigo amado (com Alaíde Costa)
- Quarta-feira de cinzas (com Amauri)
- Certa Maria (com Cyro Monteiro)
- Dor de uma saudade (com Gerson Conrad)
- Rosa de Hiroshima (com João Ricardo)
- O mais-que-perfeito (com Macalé)
- Até rolar pelo chão (com Mutinho)
- Ai de quem ama (com Nilo Queiróz)
- Sempre a esperar (com Osvaldo Coghiano)
- São Francisco (com Paulo Soledade)
- Caro Raul (com Toquinho)
- La Casa (com Sergio Bardotti e Sergio Endrigo)
- Il pappagallo (com Bardotti e Sérgio Endrigo)
- Estes seus olhos (com Seri Pestana)